O PÁSSARO IMPOSSÍVEL
sábado, 10 de março de 2012
POÉTICA
POÉTICA
Estavam sujas todas as palavras.
Levei-as ao fogo
para que se purificassem.
Agora, secas e torcidas,
elas se quebram em minhas mãos.
segunda-feira, 5 de março de 2012
PERDA
PERDA
Minhas janelas já não se abrem para o mar.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
A POESIA
A POESIA
Um campo de girassóis entontecidos de luz.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
PURIFICAÇÃO
PURIFICAÇÃO
Açoitar
as palavras
até que
elas sangrem.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
O SILÊNCIO CANTA
O SILÊNCIO CANTA
O silêncio canta no verde
que cobre a montanha.
Os barcos tatuam sua velas
na paisagem.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O MORTO
O MORTO
É um morto apenas,
nada mais que um morto.
Mais nada espera
e nada sente.
Não mede os lucros,
nem os prejuízos.
A terra apenas é a sua herança.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A MORTE DAS PALAVRAS
A MORTE DAS PALAVRAS
As lembranças perdidas dormem
sob a pedra.
A borboleta se abaixa sobre
a rosa morta.
As facas do ódio cortam
as palavras.
Sem forças
e sem cor
as palavras morrem
na noite
que se desfaz em lágrimas.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
SAPATINHOS
SAPATINHOS
Sobre as pedras na margem do rio
um par de sapatinhos.
O rio estendeu
seu lençol sobre o menino
e o fez dormir
no seu leito para sempre.
sábado, 7 de janeiro de 2012
CASINHA
CASINHA
Apenas uma casinha
doendo de saudade na paisagem.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
TEMPESTADE
TEMPESTADE
Das mesas postas do céu
caem talheres de ouro.
Na beira das águas pulsantes
do rio
o louco dança
com uma flor nas mãos.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Feliz 2012!
Um ano de muita alegria a todos que passarem por aqui.
domingo, 18 de dezembro de 2011
FELIZ NATAL
Aos meus amigos e a todos que por aqui passarem
meus votos de um Feliz Natal.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
OLVIDO
Olvido
A lua e as estrelas
vêm beber,
no rio,
a água do olvido.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
THE WASTE LAND
THE WASTE LAND
Na terra desolada
os pássaros tristes permanecem,
vão e vêm e não morrem.
A lembrança do verde os alimenta.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
A NOITE LAVA
A NOITE LAVA
A noite lava
a morte.
Apaga
a última paisagem
gravada
nos olhos de pérola
do peixe.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
PARTO
PARTO
As casas e os homens
se desfazem em silhuetas
Logo a noite vai parir estrelas.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
A FLOR E O ARAME
Entre os fios de arame
a flor se abre para o sol.
sábado, 12 de novembro de 2011
Você conhece o Urutau?
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
ESPERA
Quando a morte começa a desfazer costuras.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
MEMÓRIA
MEMÓRIA
As lembranças crescem no sangue
do sol poente.
O velho poço tira as estrelas lá
do alto.
A terra se mistura com o pó
dos pássaros e
das borboletas
e cega os olhos ressequidos dos velhos.
Todas as canções se
apagaram.
É terrível o silêncio na garganta dos mortos.
domingo, 23 de outubro de 2011
O SOL NOSSO DE CADA DIA
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
DEGRAUS
Meus olhos estão sentados
nos degraus da escada
da melancolia.
domingo, 16 de outubro de 2011
PRIMAVERA
Meu jardim acordou todo vestido
de retalhos de chita colorida.
domingo, 9 de outubro de 2011
ATÉ A MORTE
As nossas feridas
sangram.
Sangrarão
até que a
morte
nos mande
calar.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
AS JANELAS
AS JANELAS
As janelas das casas são espelhos
do tempo
quando
murcharam
todos
os caminhos
e onde
apenas brotam as flores do esquecimento.
Só os olhos
de pedra
se lembrarão para sempre.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
ALIMENTO
O meu alimento é o sangue do sol poente.
sábado, 24 de setembro de 2011
LABIRINTO
LABIRINTO
A noite é um labirinto de pedras.
As palavras se quebram em minha boca.
Um grito, dentro do peito.
Recolho-me no umbigo da dor
mastigando o pão da morte.
domingo, 18 de setembro de 2011
SONHO
Sonharemos no sono da morte?
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
ENIGMA
Difícil é aprender o silêncio da pedra.
sábado, 10 de setembro de 2011
CASA VELHA
Quantas coisas viram tuas janelas
e os olhos que nelas se debruçavam.
Olhos que viam o dia nascendo e a névoa
como uma coberta sobre a serra,
viam as flores dançando lá fora,
viam a noite, a lua convidando a amar.
Esses olhos e tuas janelas
se fecharam para sempre.
Hoje, apenas os fantasmas te habitam.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
APRENDIZADO
Não te espante o meu silêncio:
estou aprendendo a morrer.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A CASA
A velha casa dorme
e permanece no tempo.
domingo, 28 de agosto de 2011
PRECE
Prece
Devolva-me, Senhor, as palavras.
Talvez eu as compreenda e me salve.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
POUSO
POUSO
Os pássaros voaram
dos meus olhos
para a penugem macia
do poema.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
CONTEMPLAÇÃO
Contemplação
A água corre, um pássaro
voa, uma folha cai.
Em cada esquina do mundo
a beleza nos contempla.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
DORMIR
Dormir é estender a rede sobre o precipício.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
NUVENS
Nuvens
As nuvens se banham
no silêncio puro
na sombra profunda
do rio que segue
um caminho sem fim.
domingo, 31 de julho de 2011
ORIGEM
Origem
Eu não nasci,
vim do mar.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
A ESPADA DA NOITE
A ESPADA DA NOITE
Os gritos dos grilos
brotam
das faces ocas
da tarde
e beliscam a pele
do céu.
A espada da noite
degola o dia.
.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
OS POETAS DA SOLIDÃO
Os poetas da solidão
Com voz sonâmbula
os sapos cantam
i n f i n d a v e l m e n t e
para a lua.
São os poetas da solidão.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Os girassóis
O vento brinca no seio dourado dos girassóis.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
NOTURNO
NOTURNO
As casas sonham.
A cidade dorme.
Eu e meu cão vagamos pela noite.
Ele bebe as estrelas refletidas
na água que a chuva deixou pelas calçadas.
A lua e o silêncio me alimentam.
É minha a noite.
A minha alma canta.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
O SOL
O sol é um poema que sangra n
a pele do dia.
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