
Bolero de Ravel
O dia desliza
no tapete do tempo.
Uma vassoura varre
o pó dos homens
que arrastam na noite
as suas cicatrizes.
Um bêbado conversa
com as pedras da calçada
Na gaiola um papagaio
dança o Bolero de Ravel.
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Poema selecionado no 1º Prêmio Cassiano Nunes, da Universidade de Brasília, e publicado em antologia.
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15 comentários:
Uma moldura musical de força sustenta o mundo.
Beijo, Sônia querida.
Que metáfora real! Sempre fico pasma com o que vc faz de fotos e palavras!
Beijo.
Difícil dançar o bolero de Ravel inteiro com a amada, mas as vezes acontece! Poema foto lindíssimos! Beijo
PS: Chove e para... chove e para...
Aqui está o sustentáculo do mundo!
A representação desse bolero, é fantástica!
Lindo mesmo é sentir na poesia o papagaio repetindo.
Belo demais
Beijos
Mirze
parabéns!
às vezes desejo todos os pássaros das gaiolas do mundo livres, entronizados e performáticos dentro de mim.
em uma liberdade inaudível aos demais, em um concerto de dentro.
depois percebo que liberdade e egoísmo não se fundem, cabendo aos olhos somente observar a majestade de asas.
Bem merecido este Prémio1
bjs
G.J.
Arrastar na noite as cicatrizes e ainda ter varrido o pó é pungência por demais. Vc pegou aquele ponto em que as vísceras vazam de uma fresta na vida e resumiu com elas a poesia.
Um de seus melhores!
Abraços!
Se o papagaio voasse
melhor seria a dança
Oi, Sonia, estava com saudades de passar por aqui: vi que tudo continua lindo...
grande beijo
tais luso
ººº
Gostei da imagem do layout e da foto do post, quanto às palavras são irrepreensíveis.
Olá, belo poema, parabéns pela seleção, gostei da foto também.
Abraços
Em poucas palavras, e com delicadeza, um painel da existência, um toque de alegria com a soltura dos pássaros.
Belos, poema e foto. Grande abraço, Sonia.
Sátira, metáfora...só sei que é um poema maravilhoso merecidamente premiado!
Fico feliz por ti!
beijos
Graça
Vassoura do tem.pó... ;)
e mereceu o primeiro prémio.
muito bom.
beij
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