terça-feira, 4 de janeiro de 2011

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1. Leveza

Era leve o pássaro
e ainda mais leve o seu canto.


2. O timoneiro

A noite cai sobre o meu barco.
Para onde me levará o vento?
             
3. Gregueria

Leve-me flores quando o meu relógio morrer.


4. Madrugada

Para cantar a madrugada
não é preciso que o galo
conheça os seus mistérios.


5. Infinitamente

Canto a tristeza
de não ser flor.


6. Dor

Alimentei meu pássaro
com a morte.


7. Vestimenta

Queimei os meus vestidos.
Quero vestir-me apenas de palavras.

  

13 comentários:

Luciana Marinho disse...

"Leve-me flores quando o meu relógio morrer" levou-me... tão bela imagem. dói. beijinho.

Marcantonio disse...

E esses também são cantos leves, com asas justas e potentes para cruzar todo um céu.

Apreciei sobretudo Madrugada e Dor. Sim, o galo canta um diário despertar, sem ciência da morte que o alimenta. Que alimenta a todos nós.

Abraço.

Lara Amaral disse...

Para mim, vc é flor. Só uma poetisa-flor para chamar os pássaros assim na poesia e nas imagens.

Beijo, linda!

Graça Graúna disse...

"Queimei os meus vestidos.
Quero vestir-me apenas de palavras."

Sonia, poetamiga: seu fazer poético me encanta pela simplicidade que veste a alma de cada palavra que você escreve. Paz e bem. Graça Graúna

Gaspar de Jesus disse...

Cara Sônia
Fantástico este seu Poema!
Fantástica a Ave de que não sei o nome.
Bjs
G.J.

Mirze Souza disse...

CANTO A TRISTEZA DE NÃO SER FLOR!

Que coisa mais linda, Sônia!

A vida pulsa em seus versos.

Beijos


Mirze

Vieira Calado disse...

Olá, viva!

Achei muito interessantes

estes poeminhas!

E venho desejar-lhe

BOM ANO de 2011!

Bjs

Graça Pereira disse...

..."Quero vestir-me apenas de palavras"... E como tu as usas bem...
Beijo
Graça

Wilson Torres Nanini disse...

Vc não lida com poesia, lida quase que com uma religião. Zen-poeta! Uma de minhas prediletas!

Sempre fã!

Abraços!

ElmaCarneiro disse...

Oi querida
Belos versos como sempre.
Desejo um ano cheio de sonhos e projetos realizados.
Beijooo

Fernando Campanella disse...

Poemetos muito bons, especialmente o que fala dos galos e dos mistérios da madrugada. Eu queria ter o instinto que só nos leva a cantar. Abraços.

Hilton Valeriano disse...

O timoneiro: o que nos guia além do sonho? O que nos guia?

tossan® disse...

Você é um pássaro impossível de leveza e poesia! Beijo