sexta-feira, 23 de junho de 2017

SOLIDÃO





























                     


                          Uma flor boiava na imensidão do mar






ZÉ BOBO





Pouca coisa se sabia dele. Pouco eu me lembro: era só o Zé Bobo, o Zé Ninguém.
Tinha as mãos encardidas e o sorriso enorme na cara enrugada. Carregava sempre um canivete bem afiado. Descascava laranjas com uma rapidez incrível, fazendo a alegria da criançada. Só para elas ele fazia isso.

Disso eu nunca me esqueci. Chupei muita laranja descascada por aquelas mãos encardidas. 






domingo, 11 de junho de 2017

SALVAÇÃO




























                                           SALVAÇÃO


                                    O anjo lhe propõe
                                    a salvação
                                    ele só se interessa em iludir
                                    os peixes e os pássaros
                                    com a solidão
                                    do seu riso 





AS PALAVRAS QUEIMAM

























                               AS PALAVRAS QUEIMAM



                        O poema é uma fogueira acesa na garganta










quarta-feira, 31 de maio de 2017

ÁRVORE E CAVALO



































CICATRIZES




CICATRIZES



A noite cai sobre a cidade imunda.
Uma mulher disputa com os gatos as sobras das lixeiras. Seus pés inchados se arrastam  sobre as cicatrizes abertas na carne das ruas.
Olha para o céu e clama: De que me serve estar viva?