quarta-feira, 27 de novembro de 2013

LOGRO





























LOGRO


Noite após noite o mesmo sonho –
um pássaro bicava impiedosamente
os meus olhos e gritava enfurecido:
É preciso apagar a luz! É preciso
apagar a luz!
Até que um dia o pássaro não veio,

nem a luz. 






segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ASAS


























ASAS

O silêncio ondula
Ao peso do sol

O pássaro da vida
estende as asas flamejantes
e levanta voo no azul.


       

terça-feira, 15 de outubro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SÃO FRANCISCO



























Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo água
Do ribeirinho.
Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos


Vinicius de Moraes








quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CÂNTICO SILENCIOSO
































CÂNTICO SILENCIOSO


As velas luzindo e morrendo.
As línguas em chamas oferecem ao céu
um cântico silencioso.





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

MUDEZ

























                               

                                     Mudez


E o carro de boi
esquecido num canto
emudeceu.





sexta-feira, 19 de julho de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

O LAGARTO TROCANDO DE PELE



























                                       Hoje o lagarto veio mostrar sua roupa nova ao sol.





domingo, 26 de maio de 2013

NÃO SOU UMA OBRA DO ACASO




























Não sou uma obra do acaso


Sou o que sou.
Não poderia ser outra coisa.

Sou apenas quem se espanta todo dia.







segunda-feira, 6 de maio de 2013

O SILÊNCIO































O SILÊNCIO


No rio inquieto
o murmúrio das águas
onde te espelhas.

Não te reconheces.

Teu sangue
ainda flui nas águas.

Existes.
Como se já não fosses
ou fosses outro.

Pouco importa.

Basta o silêncio
das pedras no caminho.




sábado, 20 de abril de 2013

O PICA-PAU




























O PICA-PAU


O pica-pau bica os olhos
da árvore morta

e nem se importa
com os gritos de:

Bem-te-vi! Bem-te-vi!






sábado, 6 de abril de 2013

EFÊMERO



























Efêmero

Por um breve instante,
a libélula pousa
na haste de capim sobre o lago.
Tudo passa.


































segunda-feira, 25 de março de 2013

PAUSA



























Pausa


O rio e as nuvens carregam o corpo do outono.
As folhas caíram para renascer.
Os barcos se foram, mas voltarão.






domingo, 3 de março de 2013

O MURO E A FLOR (e-book)


                         Apresento-lhes o meu mais novo livro para leitura, em forma de e-book.
                         Espero que lhes agrade.


           






                                           
                                           


























     
                                              http://issuu.com/jcmbrandao/docs/o_muro_e_a_flor








domingo, 24 de fevereiro de 2013

Quem pintou as asas das borboletas?






























"Penso no doido a quem perguntaram o que fazia da vida, e que respondeu: - Eu pinto as asas das borboletas..." (Álvaro Moreyra)






quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

POEMA MURCHO

























                                 
POEMA MURCHO

Palavras de sal
que se desmancham no silêncio.





quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

NINHO NOVO



























Minha vizinha se mudou e quer alugar o apartamento.
Por enquanto alugou só o parapeito da janela do banheiro.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O HOMEM E O COBERTOR































O homem e o cobertor 


O homem perambula
pelas ruas e praças da cidade
agarrado a seu cobertor.
É toda a sua riqueza.
Nele ele embrulha a sua miséria.






segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

CENA































CENA

Eu vi o corpo inerte na calçada
as mãos crispadas seguravam o vazio
a boca aberta ainda guardava um grito