segunda-feira, 12 de novembro de 2018

MUNDO SECO






MUNDO SECO


O tempo chora nas esquinas da cidade
Cicatrizes se abrem no corpo da rua

Um rato rói o coração das pedras
Um mendigo rumina o sal da solidão

A vida é seca, a morte é seca, o mundo é seco






sábado, 29 de setembro de 2018

O QUE NÃO VEJO






























Meus olhos se tornam outros

como as coisas que eles não veem

Aprendo com o que não vejo

com a conversa sem palavras

das árvores e dos retratos











terça-feira, 12 de junho de 2018

SENTENÇA










Ninguém sabe de onde ele veio. Foi chegando e me olhando demoradamente.
Tinha um brilho sinistro nos olhos.
Foi nesse dia que eu comecei a morrer. 














sábado, 19 de maio de 2018

ALMANAQUE





Tudo estava perdido. A casa, a família, as relíquias, até sua memória.
No quartinho do asilo onde vivia restava-lhe apenas aquele almanaque encardido que ela não largava nunca, nem permitia que ninguém pusesse as mãos nele. 












terça-feira, 23 de janeiro de 2018

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

VARIAÇÕES DO POEMA






























VARIAÇÕES DO POEMA


O poema é uma pedra
que pulsa

é uma árvore nascendo
na cabeça do poeta

é uma concha fechada

pode conter uma pérola
ou não

abra a concha
e descubra